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GRANADA URGENTE
Solidariedade às vítimas do terremoto
Improváveis leitores do Amaralinas, em virtude do terremoto ocorrido na noite de ontem, 05 de janeiro de 2006, em Granada, Espanha, este blog está fazendo parte da campanha de ajuda humanitária às vítimas do terremoto. Em particular, estamos envidando esforços para ajudar um casal de brasileiros, Bosco Caminha e Maria Botelho, que se encontra em situação de flagelo depois do ocorrido. Como o sujeito é tricolor, compreende-se que esteja habituado a situações insalubres e abjetas, mas a senhôra sua esposa não merece passar por este tipo de situação. Sua ajuda é muito importante. Repasse essa informação para o maior número de pessoas possível. É preciso também contatar a embaixada brasileira na Espanha, pois o casal, em meio ao caos instaurado na cidade, corre o risco de ser deportado para o Marrocos, dadas as feições étnicas do senhor Bosco Caminha.
Para o envio de donativos ou remessa de dinheiro, favor acessar o seguinte endereço: http://emboscada.zip.net/
A família Botelho Caminha agradece por este ato de fé e caridade cristã.
Escrito por aecio às 18h21
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Confesso que menti
Resposta ao EmBoscada e ao Segunda Mão

O sertanejo na sala de seu flat, em Londres
Escrito por aecio às 19h29
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Nostalgia latino-americana
Escrevo para o contato indicado num anúncio de alguel de room que avistei nos corredores da universidade. O cidadão me resposta a mensagem afetuosamente, dizendo-se chileno e que vou adorar o seu room, pois que fica numa House da universidade em que há vários brasileiros. A existência de brasileiros na tal House já conta muitos pontos negativos em minha avaliação, afinal uma das razões por que mudei para Londres foi aprimorar o meu inglês macarrônico, e não para praticar português do interior de Minas, São Paulo ou Goiás - os tipos mais frequentes de sotaque 'brasileiro' que se ouve no centro da cidade. Ainda assim, combino um encontro com o chileno e vamos ver o seu room.
Conversa vai, conversa vem, ele se diz surpreso com a re-eleição de Lula, já que achava que a sociedade brasileira não perdoaria os escândalos de corrupção. Achei que, para um latino-americano, ele devia saber que a corrupção no Brasil não é exclusividade do governo Lula, e que a questão é que só agora a imprensa resolveu descobrir que havia compra de parlamentares no país, Caixa 2 e outras perólas... Ele disse duvidar que existisse esse tipo de coisa no governo de Cardoso, e então vi que era melhor mudar o rumo da prosa. Tentei falar do Chile, mas ele preferiu falar de sua estadia em Nova Iorque. Então tentei falar do Brasil. Quando lhe disse, com os dentes à mostra, de minha dupla filiação identitária, ele demonstrou interesse nenhum por Recife e João Pessoa, e limitou-se a dizer que adoraria conhecer o Rio e que um dia ainda vai expor na Bienal de São Paulo. O sujeito é artista plástico. Perguntei-lhe, finalmente - já desinteressado do seu room -, se ele tinha pretensões de voltar para Santiago após seu curso de doutorado. Ele afirmou que muito provavelmente não volta pro Chile, e espera se fixar na Europa. Mas como, você não sente falta de seu país... Ele diz que sua experiência em Londres tem sido bastante 'exciting', para usar um termo surradíssimo por estas plagas. E então arremata: com a quantidade de coisas que posso ver e fazer aqui, não tenho tempo para nostalgia. Pela primeira vez concordo com o cidadão.
Escrito por aecio às 12h32
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Brasilidade I
Entro no táxi, o sujeito com uma cara de poucos amigos confirma o endereço que lhe fora passado por telefone e o itinerário. Em seguida, queixa-se da distância a ser percorrida, pois que assim não dá, esse gerente tá me perseguindo, só me dá viagens curtas, minha última viagem do domingo à noite e o cara me manda pruma viagem de 20 libras. Tento ser amistoso: o gerente é de perseguir as pessoas, pergunto. E ele: esses 'somalís' são todos assim... O gerente, por ser da Somália, dá preferência aos 'somalís', as viagens boas só ficam pra eles. Vejo que a barra tá pesando, pois envolve sectarismo étnico. Invento de perguntar a nacionalidade do taxista: afegão, me diz, agora com uma cara de ex-detento de Guantánamo.
Quase entro em pânico e peço pra descer. Nessa hora ativo instintivamente a carta na manga de todo brasileiro em situação adversa no além-mar. Pois eu sou brasileiro, recém-chegado; sabe o Brasil, né, Ronaldinho, Ronaldo, Pelé, Garrincha, Romário, feijoada, samba, capoeira, havaianas... O sujeito me olha impassível. Na última esperança de diálogo: os afegãos gostam de futebol, pergunto. Então ele me diz que mudou-se pra cá por conta da guerra, que a vida em Kandahar não está fácil, e aí deduzo que não, os afegãos não gostam de futebol. Acho até que eles não estão muito preocupados com a brasilidade.
Escrito por aecio às 14h17
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Brasilidade II (parte I)
Em meio à peregrinação em busca de flat para alugar, recebo uma ligação da agente de uma corretora acertando uma visita para o dia tal, hora tal, no local tal. Notando o meu sotaque carregado, pergunta de onde você é. Respondo do Brasil, e ela ah, Brrâzil, lovely, beauty...
Durante as visitas, estranho o fato de ela me indicar o prédio, me passar as chaves e sempre arranjar uma desculpa para não me acompanhar na vistoria ao flat. Uma hora vai ao banheiro no restaurante da esquina, outra hora precisa fumar um cigarro, outra hora tem que ficar no carro por conta do guarda de trânsito. Penso que o meu aspecto de árabe pode infringir certo temor, mas logo me apercebo do óbvio: estupradores atuam em qualquer lugar do mundo, inclusive na Inglaterra. Lembrei "Benjamin", de Chico, no qual a diversão de um ex-PM carioca paralítico é matar os cidadãos que transam com sua mulher, agente de uma corretora de imóveis, durante visitas a apartamentos.
Após três tentativas, nenhum flat me agrada, a corretora não era assim uma Cleo Pires, mas ao menos me oferece carona. Ela então sai desabalada pelo trânsito, numa sexta-feira, fim de tarde, engarrafamento medonho. A situação se inverte, e quem passa a ter medo sou eu - não de ser atacado pela moça, mas de suas peripécias ao volante. Numa manobra radical não me contive e me mexi incomodado no banco. Ela utilizou-se do surrado I am so sorry, ao que eu, educado, disse que não era isso, a viagem está tranquila, é que eu não estou habituado com motorista sentado à minha direita no carro. Ah, é verdade, você é do Brrâzil..., lovely, beauty...
Escrito por aecio às 14h14
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Brasilidade II (parte II)
Continuam as manobras radicais. Noutro sinal de incômodo, digo que de fato não é fácil se adaptar, seguido de outro repuxão no banco. E ela, sorrindo e me olhando de esguelha enquanto invadia a outra faixa, disse comigo aconteceu o mesmo, mas prontamente resolvi o problema. Seu primeiro emprego na cidade foi de manobrista no estacionamento de um parque de diversão. Em tom de pabulagem, disse que o primeiro carro que lhe deram para estacionar foi uma limusine, e daí pra cá esse negócio de volante do lado direito é fichinha.
Como a sua explicação não resolve a minha aflição com sua direção, mudo o tom da conversa e pergunto o que pergunto a todos: de onde você é. Sarajevo. Tento em vão ser amistoso e digo que Sarajevo é uma cidade belíssima, se não tem saudades, não pensa em voltar... Logo sou interrompido com a afirmação de que isso era antes da guerra, agora ninguém suporta morar ali, e que felizmente meu marido, que é Sérvio, também não quer voltar pro país dele depois da guerra, e minha preocupação é trazer o meu irmão, que insiste em ficar em Sarajevo, para Londres. Insisto que você deve ao menos ter alguma nostalgia da Sarajevo pré-guerra, e ela, na faixa contínua, corta um carro e minha fala ao mesmo tempo dizendo quem vê cenas de guerra não tem tempo pra nostalgia.
Inveterado, penso em ensaiar nova manifestação de brasilidade e dizer no Brasil é tudo festa, democracia racial, paz e amor, alegria, carnaval, povo pacífico, malandragem e informalidade, mas logo me calo. Os sarajevos decerto também não devem estar preocupados com a brasilidade.
Escrito por aecio às 14h13
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Chico e Caetano
Em entrevista a um jornalista da Folha, Chico Buarque disse - numa (in)direta aos patrões do jornalista - que a preocupação com as opiniões de Lula acerca da esquerda é baboseira, coisa da direita, e que ele, Chico, ainda se acha de esquerda. Primeira chamada da matéria do jornalista: "Chico diz que debate sobre esquerda é baboseira".
Na sequência, Chico diz que gostou muito do último disco de Caetano, e que gosta do fato de que os dois têm seguido caminhos opostos na música. Numa (in)direta ao jornalista, diz que sempre tentaram semear a discórdia entre ele e Caetano, mas que isso nunca dá certo, pois a amizade entre os dois está acima dessas coisas menores. Diz ainda gostar muito de Caetano e ser um seu admirador. Segunda chamada da matéria do jornalista: "Chico diz que quase sempre discorda de Caetano". Ele até disse isso, mas no contexto acima descrito.
Os jornalistas... Fica a dúvida: má vontade, mal jornalismo ou burocracia cognitiva... Um bom tanto dos três!
Escrito por aecio às 13h24
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Concurso I

Vista da varanda de casa...
Escrito por aecio às 13h14
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Concurso II

Vista do quintal de casa...
Escrito por aecio às 13h02
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Odisséia
Para a mulher que se Aninha nos meus braços
Retrospectiva 2006: parimos; partimos...
Escrito por aecio às 12h57
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Praticidade de magnata
Um dos xodós da imprensa esportiva londrina é um magnata russo, dono do Chelsea. Os jornalistas até fazem vista grossa para a sua quase completa incapacidade de se comunicar em inglês. Certo dia, num programa esportivo, perguntaram-lhe o que o levou a comprar o clube, ao que ele respondeu, numa pronúncia dez vezes pior do que a minha:
- Ultimamente os meus negócios têm convergido para Londres, o centro financeiro mundial, e eu sempre gostei muito de futebol. Então resolvi unir o útil ao agradável: mudei-me para cá e comprei um clube de futebol. Até que a escolha tem me dado retorno...
Apesar do xodó, os jornalistas não deixam de lado o despeito. Comenta-se que o magnata banca o atacante croata Sevchenko no elenco do Chelsea, apesar da má fase, pelo simples fato de que este é a única pessoa no clube com quem ele fala sem precisar de intérprete.
Escrito por aecio às 12h54
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